Como ensinei meu filho a meditar e enfrentar seus medos?

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Como ensinei meu filho a meditar e enfrentar seus medos?
Henrique chorou ao telefone.
Estava com medo de passar a noite na casa do amigo.
Soluçava e eu não conseguia entender o que ele dizia.
Pedi pra que ele descrevesse o que estava vendo na casa do amigo:
– Como assim papai? (Choro, soluço e tosse)
– Olha em volta e me diz o que você está vendo?
– Tem um sofá! (Um soluço, uma tossida e uma chorada)
– Que mais? Como é esse sofá? Parece o da casa da mamãe ou o da casa do papai?
– Não parece nenhum dos dois! (Um soluço só)
– Ok! Respira devagar e me conta mais…

E a medida que ele ia contando, parou de chorar!
Pedi pra que respirasse e prestasse atenção à respiração…
Disse a ele: – É isso que o papai faz! Isso é Meditação!

Pausa! Esse aí em cima é o Medo, ok?

Passei a semana triste! Um trem não digerido entupindo meu peito.
Cara, como é difícil lidar com essas coisas!
Lembrei de um provérbio do livro de Eclesiastes.: “Melhor é a tristeza do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração”. Lembrança de um tempo em que meu caminho Espiritual passou pelo Cristianismo! Não me consolou muito, mas ok…

Ainda não entendi bem pq o trem aconteceu como aconteceu, mas percebi que tentar entender é inútil… Por que é inútil?
Porque o fato em si foi triste, ponto! Mas a dor que veio, era de outras feridas, saca?
Tipo um pagamento de caderneta: “junta tudo e cobra de uma só vez, pode ser?”

Não fomos educados para observar as nossas emoções. Como resultado, não ficamos conscientes e não conhecemos nossos limites. Se não conhecemos nossos limites, as pessoas atravessam essas fronteiras, e acabamos responsabilizando-as por isso.

A questão é que deixamos que isso aconteça e não assumimos a responsabilidade pelo fato de alguém estar num lugar em que não gostaríamos que estivesse. Mas a criatura está lá, com nosso aval.

Pausa outra vez! Essa aí em cima é a Tristeza, ok?

Estava pensando sobre isso e me dei conta de que o caminho espiritual é exatamente isso. Levar luz para o seu próprio inferno. Olhar para os seus demônios e dizer: Vem cá que eu vou cuidar de vcs! Reconciliar os fragmentos, juntar os pedaços, integrar luz e sombra.
Dói, mano! Pra caceta…

Como ensinei meu filho a meditar e enfrentar seus medos?
Mas hoje, pra ajudar o Henrique com seus medos, coloquei ele na minha almofadinha de meditação, sentei do lado, apaguei a luz e respiramos juntos!
Ahhh velho! Não tem preço que pague aquele pequenito sentado com “perninha de Índio” (Lótus é para amadores! Aqui em casa é perninha de Índio) e respirando comigo!
Chorei… chorei outra vez agora!
E me senti grato! Por cada passo consciente e por cada escolha melhor.
A meditação não me livra da tristeza ou do medo.
Não medito para mudar os meus estados emocionais.
A Meditação me faz ver q a tristeza e a felicidade, o medo, a raiva, a alegria, o contentamento, a frustração e a dor são todas impermanentes.
Vem e vão!
E eu posso observá-los vindo e indo!
Autor: Rodrigo Cavarelli

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E ai, gostou?

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