Como ser uma pessoa desapegada de coisas materiais?

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Como ser uma pessoa desapegada de coisas materiais?
Quando decidi que não queria mais televisão na minha casa, fui metralhada de todos os tipos de opiniões.

Depois da minha decisão ja ganhei 5 televisores, esses já foram doados, para pessoas que nunca tiveram, para pessoas que acham um bem importante e para pessoas que tinham uma ou duas e queria mais uma. O que me motivou não foi religião, como muitos pensaramFoi um desgaste emocional de convencer meu filho todos os dias das minhas verdades e dos meus princípios, enquanto ele era bombardeado de informação pela TV. No começo não foi fácil, afinal é muito BOM, –BOM demais– ligar a televisão para o seu filho, enquanto você da um jeito na casa, ou faz o jantar, ou toma o seu banho tranquilamente. O fato é que depois eu gastava muito tempo explicando que tudo que ele tinha visto era mentira, era hipocrisia, era sensacionalismo era consumismo… Decidi não ter mais TV.

Hoje meu filho cozinha comigo, lava nossa louça as terças e sexta feiras, arruma a mesa de jantar, jantamos juntos todos os dias sentados à mesa, e brincamos, brincamos muito -embora essa seja uma das coisas que eu gosto menos de fazer-, inventamos artes, pintamos garrafas e tantas outras coisas…

Uma situação levou-me a tomar uma decisão recentemente, e “dale” outra polêmica.

Vendi o meu carro.

Foram tantas, mas tantas pessoas incomodadas, preocupadas comigo, inconformadas, desacreditadas e apegadas no meu carro, que eu juro que achei que fosse ganhar um novinho de alguém. É claro que sou eternamente grata aos preocupados comigo, vi no olhar de cada um o amor e preocupação pela minha vida e senti realmente amada. O fato é que eu inacreditavelmente não senti, desapeguei, sem sofrer, porque simplesmente era o necessário para o momento.

Queria escrever aqui nesse paragrafo que não tem sido fácil, mas é mentira.

Hoje de manhã estressei com o filho -normal-; atrasado, fazendo tudo com muita lerdeza, a não deu outra, fiquei estressadinha.

No caminho para a escola -a pé, 3km-, ele disse que é muito melhor a pé, porque a raiva passa mais rápido, porque se eu tivesse dirigindo iria ficar mais nervosa com o trânsito, porque as pessoas ficariam brava comigo porque dirijo muito devagar.

Tenho falado em média, 10 bom dia, por dia, para pessoas que eu nunca vi, ganhei mais um tempo para conversar com o meu filho olhando nos olhos dele, posso pedir informações na rua, e sentir o carinho da resposta de quem nem conheço, posso levantar quando alguém precisa se sentar, e observar cada um em minha volta. Posso pedir favores e não sentir solitária e individualista, ser atendida ou não, mas sei que sempre que precisar tenho para quem ligar e pedir uma carona ou um carro emprestado em uma urgência ou assistir um filme que tenho vontade.

Sei que muito em breve vou estar com outro carro, talvez melhor e mais bonito que o meu antigo carro, eu sei que numa oportunidade, caso tenha vontade, eu vou ter uma televisão de 41 polegadas, mas o que me deixa muito feliz é que eu não preciso de nada disso, tudo é adaptação e se alguém acha um absurdo se torna tudo vaidade.

Precisamos viver num mundo fora de nossa própria bolha, estamos cegos diante de uma sociedade egocêntrica e individualista, sociedade essa que prega com muita certeza o amor ao próximo, mas não é capaz de falar um bom dia para um desconhecido, estamos sendo engolidos pelo consumismo desse século e deixando nossos filhos acreditarem que é o que tem de melhor.

Fácil, muito fácil agradecer a Deus dentro do seu carro e cantar hinos de louvores, não que você não seja digno, mas diante da minha decisão prometi não reclamar se quer um dia, e Deus pediu para que eu não deixe de agradecer pois nada que tenho aqui é meu.

Se eu aparecer semana que vem com o carro dos meus sonhos e você veja isso no próximo semáforo, ou que numa visita em minha casa você veja uma televisão de 60 polegadas, acredite, que se for necessário eu abro mão de tudo novamente, simplesmente para olhar mais para o outro e menos para mim.

#‎oqueeutenhonaoémeu

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E ai, gostou?

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