FUGAS OU ENCONTROS? Morar sozinha é a melhor solução?

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Quando eu fiz 13 anos decidi ir embora de casa. Como qualquer adolescente desnorteada, tive algumas oportunidades de escolhas, sendo; muitas ruins e poucas boas. E a minha escolha definiu como seria meu futuro!
-A HISTÓRIA-
Em meio ao barulho da confusão da minha família, sabia que não podia tomar essa decisão do dia para noite, ela deveria ser calculada e convincente, afinal eu era apenas uma criança . ( …É estranha essa gaiola, que me prende o peito, não consigo respirar, e esta me impedindo de VIVER … – Michel Sardou -)
Por 12 meses visitei a casa de freiras e pedi orientação. Lembro que aos sábados caminhava da rodoviária da cidade até aos altos das colinas, passando por estradas de terra e trilhas, eram quilômetros muitos longos para minhas pequenas pernas, mas um espaço suficiente de caminhada para dar vasão a minha mente criativa.
Ninguém sabia aonde eu estava, ninguém sabia o que planejava.
É difícil conseguir explicar, aliás, muito difícil, pois conseguis fazer isso 20 anos depois, nessa narrativa. Inspirada por uma música.
Existe os questionamentos coloquiais da sociedade, para entender meu ato de coragem, os mais conhecidos, são; rebeldia de adolescente, depressão, hormônios, drogas, vícios, namorados, gravides escondida e etc.
-REALIDADE-
Hoje eu tenho certeza que nenhuma dessas afirmações sociais fizeram parte da minha decisão. O meu mundo era resumido em conviver com dois adultos, sendo um alcoolista e outra depressiva, duas crianças amedrontadas e eu tentando intermediar tudo isso, e no meio do barulho, o único som era; o que é certo ? o que é errado? Quem esta certo? Quem esta errado? Talvez um pensamento precoce. Mas eu queria estudar o ser humano e suas diversas formas de viver e entender.
Sai com algumas perguntas e voltei com uma certeza:
Somos totalmente responsáveis por nossas decisões, e as consequências de cada uma delas.
VOAR
Ao completar 14 anos em um dia da semana qualquer uma Kombi com 3 freiras parou em frente à minha casa, me chamou pelo nome, pediu para a minha mãe para entrar, e avisou que me levariam.
Mamãe ligou para o Papai que estava trabalhando, ele correu para casa e encostado no armário da cozinha, foi avisado que eu iria embora.
Não houve questionamentos.
A decisão estava tomada.
Minha mãe pediu para eu arrumar minhas coisas, enquanto tentava entender como aquilo foi acontecer sem ninguém saber. Não deu tempo! Minhas malas estavam arrumadas debaixo da minha cama à exatamente 1 mês.
Eu fui! Sem olhar para trás. Sem chorar.
O vento impetuoso fora da janela tomava conta do meu rosto, eu alcei voos.
O que eu não sabia explicar – pois só tinha 14 anos – é que aquela decisão não era um ato de rebeldia.
Talvez minha mãe nunca entendeu minhas despedidas, que não foram 1 nem 2, são incontáveis.
Hoje aos 34 anos posso explicar para ela meu sentimento de simplesmente partir através da música interpretada no filme A Família Belier
Hoje sou questionada do porque ser tão quadrada, pois vivi muito dessa vida em tão pouco tempo e tenho tantas histórias; contadas, escondidas, secretas, inesquecíveis, imagináveis….
A resposta é simples;
Eu sei quais são os caminhos que levam a busca incessante de uma fuga, e fugir foi o que sempre eu não quis fazer, porque eu anseio em me encontrar !
Mãe, essa música é a resposta das minhas despedidas, desculpa demorar tanto tempo para saber como explicar. A música fala até da minha promessa: Sem Fumaça, sem Alccol…rs
Indicação do filme : A família Belier
Música: Michel Sardou Je Vole – 1983
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E ai, gostou?

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